Destaques do I LATmetrics

O I LATmetrics – Congresso de altmetria e ciência aberta na América Latina – foi realizado no final de novembro de 2018, na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro.

Foi um enorme prazer poder participar ativamente do primeiro evento latino-americano sobre altmetria e ciência aberta, tanto como ouvinte como também apresentando um trabalho e fazendo parte do comitê científico, além de aproveitar a oportunidade para reencontrar e conhecer muitos colegas que também estudam esses temas.

Entre os trabalhos apresentados no evento – cujos anais completos estão disponíveis aqui – gostaria de destacar alguns que chamaram minha atenção. (Esclareço que a seleção a seguir representa um panorama sobre os temas sobre os quais tenho maior interesse e, portanto, obedece a critérios meramente pessoais, sem qualquer tipo de julgamento sobre a qualidade destes e dos demais trabalhos apresentados.)

A altmetria é um campo de estudo relativamente novo e que, no Brasil, conta com um número limitado de pesquisadores, como mostra o trabalho de Fábio Gouveia, que identificou somente 32 doutores com produção sobre altmetria na base de currículos Lattes.

Sobre a aplicação prática das métricas alternativas, foram apresentados trabalhos que analisaram o desempenho de recortes da produção científica brasileira nos principais canais de divulgação online, como Facebook (por Rubens Silva Filho e Samile Vanz), Twitter (por Ronaldo Araújo) e Mendeley (por Andréa do Nascimento). Até o momento, todos os resultados demonstram que a relação entre o uso dessas ferramentas e as citações formais de artigos brasileiros é praticamente inexistente.  Um fenômeno parecido foi observado no trabalho da Iara Vidal e Fábio Gouveia em relação ao acesso aberto, onde artigos brasileiros publicados em acesso aberto não recebem mais menções altmétricas, ao contrário do que mostram outros estudos internacionais. Uma novidade interessante foi o trabalho da Patricia Pedrí sobre a participação de pareceristas latino-americanos no Publons, uma ferramenta de revisão por pares aberta.

Em relação ao avanço da ciência aberta, é promissor o compromisso assumido pelo Brasil através do 4o Plano de Ação em Governo Aberto, cujo principal objetivo é estabelecer mecanismos de governança de dados abertos de pesquisa científica, conforme trabalho apresentado pela equipe da Embrapa. Em outra perspectiva, também me parece promissora a investigação da Lumárya Sousa sobre os tipos de práticas de Ciência Cidadã no Brasil.

Apesar da ainda tímida produção sobre as métricas alternativas na América Latina, a meu ver, fica cada vez mais clara a necessidade expressa por Juan Pablo Alperín em sua fala de encerramento de desenvolver indicadores que sejam relevantes e adequados à nossa produção científica regional, em lugar de nos adequarmos aos indicadores internacionais. Como aponta Germana Barata, mesmo com as limitações das ferramentas atuais em fornecer dados altmétricos sobre a produção científica latino-americana, já temos potencial e maturidade suficientes para contribuir para o avanço das discussões sobre a altmetria em nível local e nacional.

Ferramentas como Altmetric e Dimensions, que foram apresentadas por Mike Taylor e Sara Rouhi, da empresa Digital Science (que detém ambos), podem ajudar a fornecer os dados necessários para produzir tanto as análises como os próprios indicadores que melhor nos representam, porém essas ferramentas também precisam avançar em termos de conteúdo e cobertura de fontes locais e regionais para que possam ser de melhor valia.

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