Mídias sociais e periódicos científicos

O aumento da visibilidade e da circulação de um artigo depende em grande parte do papel ativo dos autores e editores em promover esse conteúdo, sobretudo no meio eletrônico. Os periódicos de grande porte, como Nature, Science, PLOS, e títulos de editoras internacionais, como Elsevier e Springer, há muito tempo adotaram estratégias de mídia social para a divulgação de seus conteúdos, que potencializam o alcance já amplo dos artigos publicados nessas revistas.

Mas sabemos que mesmo reconhecendo a importância de investir na comunicação via redes sociais para conquistar mais visibilidade, periódicos mais modestos podem ter dificuldades em implementar essas estratégias – que geralmente demandam uma equipe dedicada de marketing com especialistas da área digital – devido à falta de recursos humanos e tecnológicos que são comuns no meio editorial acadêmico.

Segundo Príncipe (2013), as pesquisas que abordam o uso de redes sociais para fortalecer e aprimorar a comunicação científica e, em particular, os periódicos científicos brasileiros são praticamente inexistentes – e não é difícil entender o porquê, já que o próprio uso de redes sociais pelos periódicos brasileiros ainda é muito incipiente. Dentre os poucos estudos sobre o tema, uma análise dos periódicos na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação mostra que somente 2 entre os 15 periódicos que receberam classificação entre A1 e B2 no programa Qualis da CAPES em 2014, possuem perfil no Facebook (SOUZA et al, 2015). Em outro estudo (SANTANA; SANTOS, 2013), foram investigados 35 periódicos brasileiros da área de Educação Física, dos quais somente 3 tinham perfis em redes sociais.

Vale a pena considerar o investimento no uso de redes sociais para aumentar a visibilidade do periódico e dos artigos nele publicados, assim como de ferramentas de análise para entender melhor quem é o público que efetivamente acessa seus artigos. Um exemplo disso é a experiência da revista História, Ciência & Saúde – Manguinhos, após adotar o uso do Twitter, Facebook e de um blog para promover os artigos publicados e implementar o Google Analytics para analisar os resultados de alcance em termos demográficos e geográficos. A resposta foi praticamente imediata em termos de crescimento na quantidade de acessos e diversificação do público que tomou contato com a revista. Mas para obter esses resultados, a equipe ressalta que é indispensável manter um ritmo constante de atualização dos canais de comunicação nas redes sociais (BENCHIMOL; CERQUEIRA; PAPI, 2014).

Em outro trabalho que relata a experiência de quatro periódicos que investiram no Facebook como ferramenta de divulgação, os editores destacam dentre os principais impactos percebidos, o aumento da visibilidade da publicação dentro e fora da instituição de origem, o aumento no número de seguidores em redes sociais, o crescimento do número de acessos ao site da revista, sobretudo aos artigos que recebem destaque na divulgação, o aumento no número de submissões e na variedade institucional dos autores que submetem trabalhos à revista, além de uma maior preocupação em dialogar com seu público e acompanhar as métricas alternativas (MEDEIROS; BARATA, 2014).

Essas experiências mostram que existem soluções tecnológicas e múltiplas ferramentas disponíveis para que os nossos periódicos científicos se aproximem da prática de uso das redes sociais e das métricas alternativas. Os desafios para que isso aconteça de fato são outros.

Autores e editores científicos devem estar cientes de que é sua responsabilidade promover a visibilidade e o uso da sua produção acadêmica, e que o atual ciclo da comunicação científica se estende além da publicação dos resultados de pesquisa, incluindo agora o compartilhamento online e a medição do impacto em diversos níveis. As mídias sociais podem ajudar pesquisadores e editores a abordar novos públicos, orientar os leitores para publicações e temas relevantes, amplificar os resultados da pesquisa, aumentar sua visibilidade, e potencialmente gerar mais citações no futuro (BARROS, 2015; HOLMBERG, 2016), enquanto as métricas alternativas permitem monitorar quando, onde e por quem a produção acadêmica está sendo visualizada, compartilhada e discutida na web.

 

BARROS, Moreno. Altmetria: métricas alternativas de impacto científico com base em redes sociais. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 20, n. 2, p.19-37, abr./jun. 2015. Disponível em: <http://dx.doi.org/10.1590/1981-5344/1782>. Acesso em: 03 jan. 2016.

BENCHIMOL, Jaime; CERQUEIRA, Roberta; PAPI, Camilo. Desafios aos editores da área de humanidades no periodismo científico e nas redes sociais: reflexões e experiências. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 40, n. 2, p. 347-364, abr./jun. 2014.

HOLMBERG, Kim. Altmetrics for information professionals: past, present, future. Kidlington, UK: Chandos, 2016. 158 p.

MEDEIROS, Carolina Ferreira; BARATA, Germana. Em busca de maior visibilidade, periódicos brasileiros investem nas redes sociais. In: Workshop de Editoração Científica, 8., 2014, Campos do Jordão. Anais… Botucatu: Associação Brasileira de Editores Científicos, 2014. p. 41-43. Disponível em: <http://ocs.abecbrasil.org.br/index.php/WEC/viiiwec/paper/view/79>. Acesso em: 27 nov. 2015.

PRINCIPE, Eloísa. Comunicação científica e redes sociais. In: ALBAGLI, Sarita. (Org.). Fronteiras da ciência da informação. Brasília, DF: IBICT, 2013. p. 196-216.

SANTANA, Solange Alves; SANTOS, Maria Fátima. Panorama dos periódicos científicos brasileiros de Educação Física vinculados a Instituições de Ensino Superior. In: Encontro Nacional de Editores Científicos, 14., 2013, Estância de São Pedro (SP). Anais… Botucatu: Associação Brasileira de Editores Científicos, 2013. p. 56-60. Disponível em: <http://ocs.abecbrasil.org.br/index.php/ENEC/ENECUSP/paper/view/59>. Acesso em: 27 nov. 2015.

SOUZA, Uarlens de Jesus et al. O uso das redes sociais pelos periódicos brasileiros de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Revista ACB, Florianópolis, v. 20, n. 3, p. 584-591, set./dez. 2015. Disponível em: <http://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/1101>. Acesso em: 02 fev. 2016.

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